Qumran: Bíblia manuscrita entra no Google


Acordo entre Google e a Autoridade de Antiguidades de Israel tornará possível a consulta na internet de todos os conteúdos dos 3 mil fragmentos que compõem os mais antigos textos bíblicos conhecidos. Por exemplo, esta passagem do Deuteronômio, texto bíblico que abre este post, tradicionalmente exposta no santuário do Livro, junto ao Museu de Israel, numa colina de Jerusalém.

Serão digitalizados os manuscritos do Mar Morto, encontrados em 1947 por pastores beduínos em odres de barro dentro das grutas de Qumran, no deserto da Judéia, próximos de Jerusalém.
Mais de 60 anos depois de verem a luz do dia, entram na internet os 900 rolos de pergaminho – com 2000 anos de antiguidade – uma das maiores descobertas da arqueologia no século 20. Cada fragmento foi minuciosamente recuperado digitalmente.

O anúncio foi feito por Shuka Dorfman, diretor da AAI – Autoridade de Antiguidades de Israel, e coincidiu com a abertura da exposição dos manuscritos em Roma, ontem, na Sala Sixtina da Biblioteca do Vaticano.
Os textos digitalizados, a base de imagens de alta qualidade de cada um dos fragmentos, poderão ser consultados em seus três idiomas originais, hebraico, aramaico, e grego. E também em inglês, partindo daí para outras línguas modernas. Já não será preciso ir até Jerusalém para ver os originais da Bíblia.

Em Roma, o Prefeito da Biblioteca Apostólica, Monsenhor Leonardo Boyle, teólogo dominicano irlandês, disse ontem  aos jornalistas que o Vaticano não teme o conteúdo dos papiros, conhecido em 80% , e os considera de interesse universal, desde a sua descoberta nas colinas de Qumran, junto ao Mar Morto.

Há a versão de que os manuscritos teriam sido escritos pelos essênios – uma seita monástica judaica contemporânea de Jesus Cristo. Entre seus ritos constava a partilha do pão, e o batismo com água. Há quem assegure que João Batista foi essênio, e que Jesus, antes de entrar na vida pública, ali viveu.
Alguns ritos e práticas piedosas dos essênios teriam passado aos primitivos cristãos da chamada Igreja de Jerusalém, chefiados por  São Pedro.

Há quem diga que nos manuscritos existiria um original do próprio Evangelho de São Marcos. O que derruba por terra antiga teoria de que o Novo Testamento foi transmitido por tradição oral durante mais um século, depois da morte dos apóstolos, e só escrito depois, culminando na Vulgata. Bíblia em latim, copiada numa gruta de Belém, por São Jerônimo já no ano 400 d.C. – aqui representado na magistral tela de Caravaggio.

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